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Romance 'Desesterro' honra as mulheres, vivas ou mortas*

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O romance "Desesterro" (Editora Record, 304 páginas, R$ 39,90) não é apenas uma história que brinca com o leitor de não deixar claro o que é sonho e o que é realidade. Entre misturas de pesadelos, misticismo, morte e mulheres marcantes, tudo é real e tudo é sonho em Vila Marta e Vilaboinha – os palcos da narrativa. O livro é também o "sonho das páginas próprias", como define a própria autora, Sheyla Smanioto. Cheio de originalidade e lirismo, o primeiro romance publicado da escritora de Diadema é um soco no estômago, no melhor dos sentidos. Às vezes sombrio, às vezes ecoando esperança em cada frase, "Desesterro" foi digno do Prêmio Sesc de Literatura em 2015. "Já escrevi outros, mas esse é o primeiro que eu escrevi querendo encontrar leitores, ser lida, ecoar além dos meus cadernos", conta Sheyla. A ideia surgiu quando ela percebeu que a vida que conhecia não constava na literatura ou não era abordada da perspectiva da periferia e da...

Bruna Siena fala sobre morte, imortalidade da alma e deuses, em “Marduk”*

"Viver é afundar-se em cada caminhada", escreveu Hilda Hilst, em "A Obscena Senhora D". A escritora maringaense Bruna Siena, admiradora de Hilst, parece entender muito bem o que a autora quis dizer com isso. Ela encontrou um caminho diferente na literatura para sua obra, "Marduk". A autora se entregou de corpo e alma a essa caminhada, tanto que virou Siena Bruna Naamah, nome que ela sente que sempre carregou consigo e afirma que não será temporário. "Sou isso e pronto, um conjunto de coisas que enriqueceram a minha visão sobre o mundo, muitas vias abertas, acho que Naamah é a mulher descoberta nessa minha encarnação", diz. E assim como ela fez para escrever, a leitura de "Marduk" promete fazer o leitor viajar nas profundezas da alma e das dúvidas incessantes do ser humano, com uma temática forte. A morte, a imortalidade da alma, buscas infinitas e um deus que se matou no sétimo dia. Com "Marduk", Bruna diz não querer...

Livro sobre santa suicida para os devotos da literatura*

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A Literatura pode ser a maneira mais agradável de ignorar a vida, como escreveu Fernando Pessoa. Pode, entretanto, ser a maneira perfeita de falar sobre ela e sobre a morte, que fica bem próxima, mas que a maioria prefere ignorar. E é o que faz Micheliny Verunschk no livro “Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida" (Editora Patuá, 200 páginas, R$30). O livro recebeu apoio da Petrobras Cultural, que por meio de seleção pública patrocina projetos culturais e foi publicado pela editora Patuá. Em entrevista ao Diário, Micheliny conta que a ideia do livro surgiu há onze anos, quando ouviu a história da tia de uma amiga que se suicidara e que teria sido velada com um hábito religioso. “Esta imagem, que me pareceu muito marcante, me inspirou a escrever a história de uma santa suicida”, conta a escritora. É o primeiro romance da pernambucana, que já publicou Geografia Íntima do Deserto (Landy 2003), O Observador e o Nada (Edições Bagaço, 2003) e A Cartografia da Noite ...

Entrevista com Ricciardi

Luigi Ricciardi é o nome literário de Luís Cláudio Ferreira da Silva, 33 anos, professor e autor dos livros Anacronismo Moderno (2011) e Notícias do Submundo (2014). Ele adotou esse nome em homenagem ao bisavô Alfonso Ricciardi, que veio da Toscana para o Brasil, em 1897. Isso, antes da publicação do primeiro livro. “Assim, decidi italianizar também o Luís, virando Luigi”, diz. A escrita sempre foi uma atividade prazerosa para Luigi. Ele conta que desde que começou a alfabetização já gostava de escrever. Porém, a aventura pela literatura veio quando já estava na faculdade, ao escrever sobre a história de amor malfadada de uma amiga. Hoje, os contos de Luigi são cheios de ironia, críticas à sociedade e tratam de temas como vida, morte e amor. Para ele, é essencial que o artista reflita sobre a sociedade em que vive. Além disso, o lirismo contido em cada linha que escreve é capaz de encantar o leitor. Estão bem longe de “apenas alguns contos bestas”, como sugere o título ...

"A Segunda Pátria" vai virar filme*

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Neste mesmo mês, em 1945, a Segunda Guerra Mundial terminava de maneira não oficial (o Japão só se rendeu alguns meses mais tarde). Depois de 70 anos este continua sendo um assunto fundamental, principalmente pelos fantasmas que carrega consigo, como o nazismo. O tema vem sendo abordado em vários livros de história e também de ficção, como fez Miguel Sanches Neto em “A Segunda Pátria”, de maneira muito original. O romance porém, se passa bem distante da Alemanha e da Europa. O cenário é o Brasil de Getúlio Vargas, que declara apoio aos nazistas. Assim, os estados do sul do país, com maior número de descendentes alemães, começa a pôr em prática os princípios pregados por Hitler.  Com isso, o engenheiro Adolpho Ventura, negro e pai de uma criança mestiça passa a sofrer discriminação e violência, bem como todos os outros negros. Enquanto isso, a jovem Hertha, grande amor de Adolpho e modelo perfeito da raça ariana tem uma missão secreta até para ela mesma: um encon...